“Eu gosto de crianças, elas são saborosas”. (Albert Fish)

Albert Fish era um senhor. Mas um senhor cuja aparência remetia aos 70 anos de idade, quando, na verdade, em seu último crime, possuía 58 anos. Grisalho desde jovem e, aliado ao seu rosto magro e fundo, realmente dava a impressão de ser um idoso. Sempre bem arrumado e agindo, sem exceções, com educação e polidez em público, foi difícil acreditar que um aparente ancião pudesse ter torturado, assassinado e devorado (literalmente) crianças.

Ele possuía uma quantidade assustadora de parentes com perturbações mentais, cujas enfermidades levavam inclusive à morte (incluindo, nessa lista fatal, seus irmãos). Sua mãe era conhecida por sofrer constantes alucinações sonoras e visuais.

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Era um masoquista confesso. Obrigava seus seis filhos a assisti-lo autoflagelar-se; só cessava quando seus glúteos ficavam em carne viva e jorrando sangue. Gostava muito, também, de enfiar agulhas no seu corpo – especificamente entre o ânus e os testículos. Algumas perfuravam tão profundamente a carne que sua remoção era impossível.

Possuía um encanto desmedido à religião e a seus dogmas, assim como sacrifícios. Confessou que apreciava comer fezes humanas, além de introduzir algodões, encharcados de álcool, dentro de seu ânus para, logo após, atear fogo.

Passou a sofrer, como sua mãe, alucinações (visualizava Jesus Cristo e anjos). Como pensava estar em contato com o divino, arranjou uma desculpa para iniciar seus crimes: enquanto não fosse reprimido por Deus, nada de grave estaria cometendo. E ele dizia que “Deus” nunca lhe repreendeu verbalmente.

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Quando ele foi capturado tinha mais de 60 anos e a polícia descobriu vários crimes cometidos por ele. Aos 33 anos foi preso por furto e teria praticado outros delitos. Foi internado várias vezes em clínicas psiquiátricas. Foi taxado, pela acusação, como um “psicopata sexual”.

Albert Fish sendo capturado pela polícia.

Albert Fish confessou ter matado ao menos 23 e molestado mais de 400 crianças. Ele aguardava, pacientemente como um predador, uma criança, previamente escolhida, ficar sozinha; seja por um descuido do responsável ou adquirindo sua confiança.  Ele levava as crianças até casas abandonadas, locais que eram previamente escolhidos por Fish como templos para práticas de torturas e canibalismo.

Seu apelido (Bicho-Papão) foi dado por Billy, um menino de 3 anos que estava brincando, em fevereiro de 1927, com seu amigo de 4 anos. Ambos estavam sendo cuidados por um vizinho, na época com 12 anos. Por questão de poucos minutos, o vizinho teve que entrar em sua casa e, assim que voltou, as crianças haviam sumido. Assustado, o menino avisou o pai  da criança mais nova e ambos deram início a uma busca desesperada pelos garotos. Quando finalmente acharam Billy, ele estava no terraço da cobertura do edifício, mas sem o seu amigo. Perguntado onde estava o garoto, Billy respondeu: “o bicho-papão o pegou”.

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O corpo da criança nunca foi encontrado, mas, posteriormente, Fish confessou a autoria do homicídio e ainda narrou, com extremos detalhes e muita frieza, o que fez com ele.

Quando o sequestrou, levou-o a uma casa abandonada, o despiu e amarrou os pés e as mãos do menino. A partir daí, deu início a um dos relatos criminosos mais horripilantes que você pode imaginar.

Fish separou ferramentas e um chicote, feito por ele mesmo, que chamava de “cat of nine tails”. Iniciou açoitando o corpo nu do menino “até o sangue escorrer pelas pernas. Logo após, amputou as orelhas, o nariz e cortou, de orelha a orelha (já retiradas), a boca da pobre criança. Disse que, após retirar os olhos, a sua vítima faleceu.

Fish bebeu o sangue que escorria pelo cadáver, depois esquartejou o corpo da vítima e levou ao forno e temperou com cebolas, cenouras, nabos, sal e pimenta.

Sua carne era melhor do que qualquer peru assado que já comi, disse ele.

Francis McDonnel, de 8 anos, também foi assassinado e torturado por Fish. Foi igualmente sequestrado após descuido de sua mãe. A polícia encontrou o corpo do menino em um matagal. Estava morto e totalmente espancado.

A polícia encontra o corpo de uma das vítimas

Mary O’Connor, de 15 anos, foi outra vítima de Fish. O corpo da menina foi encontrado pela polícia em uma mata próxima a uma casa em que Fish trabalhava como pintor de paredes.

Grace Budd, uma garotinha de 10 anos, é considerada a sua vítima mais conhecida, em razão de as investigações desse caso ter levado a polícia, finalmente, ao encontro de Fish.

Albert Fish foi levado a julgamento em 11 de março de 1935 pelo homicídio de Grace Budd.

Durante os 10 dias de julgamento, a Defesa buscou provar a insanidade de Fish. Sob a ótica do advogado Dempsey, pessoas que cozinham e comem crianças não podiam ser consideradas normais. Ele, colocou no banco de testemunhas os seis filhos do “Bicho-Papão”, que relataram as autoflagelações do pai, principalmente as inúmeras agulhas enfiados no corpo.

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Dempsey também levou ao banco das testemunhas alguns psiquiatras, os quais relataram os fetiches sexuais de Fish, tais como coprofilia e urofilia. Segundo os psiquiatras, Fish relatou ter enfiado diversas agulhas no corpo, descrevendo todo o procedimento em detalhes. Desconfiado, a testemunha de defesa Dr. Fredric Wertham solicitou um raio-X na região pélvica e constatou que pelo menos 29 agulhas se encontravam no corpo de Fish.

A estratégia da Acusação, por sua vez, consistia em afirmar que Albert Fish, apesar de psicopata sexual, era mentalmente sadio e tinha, portanto, plena ciência do que fazia. Para o Promotor Gallagher, foi um crime premeditado, pois Fish teria comprado antecipadamente os instrumentos para sequestrar e matar Grace Budd.

Mas a “cartada final” do Promotor foi pedir aos funcionários da corte que trouxessem os restos mortais da vítima Grace Budd. Em meio ao plenário, Gallagher abriu a caixa e retirou o crânio da menina para que todos os presentes vissem. Mesmo com o pedido de recesso imediato formulado pela defesa, o resultado do julgamento estava “dado”.

Após tantas evidências apresentadas, o devorador de crianças foi considerado culpado por homicídio premeditado. Ele ouviu a sentença atentamente e adorou ter sido sentenciado à morte na cadeira elétrica.

Fish ouvindo sua sentença de morte

Albert Hamilton Fish foi eletrocutado na prisão de Sing Sing, em Nova York, no dia 16 de janeiro de 1936. As diversas agulhas alojadas em seu corpo ao longo de toda a vida causaram um curto-circuito, interrompendo o fluxo de eletricidade na cadeira. Foram assim necessárias duas descargas elétricas para matá-lo. Antes de fechar seus olhos completamente, Fish, referindo-se à cadeira elétrica, proferiu suas últimas palavras:

“A emoção suprema, a única que nunca experimentei.”

Fonte: Canal ciências criminais