O Castelinho da Rua Apa, fica na esquina da Avenida São João em SP, tornou-se uma das construções mais emblemáticas da cidade.

Quando foi inaugurado, no início do século passado, era um dos imóveis mais suntuosos da região, mas foi abandonado na década de 30 após ser palco de uma tragédia familiar.

O castelinho chama a atenção não apenas pela arquitetura em estilo francês, mas também pela história macabra que o acompanha.

Na noite do dia 12 de maio de 1937, uma chacina ocorreu no local. A socialite Maria Cândida Guimarães, de 73 anos, e seus dois filhos, Alvaro Guimarães Reis, de 45, e Armando, de 43, foram encontrados mortos ao lado de uma pistola automática Parabellum calibre 9.

Até hoje, o crime não foi totalmente esclarecido. A versão divulgada pela polícia dois dias depois do ocorrido é de que Alvaro teria atirado na mãe e no irmão e, depois, se suicidado com dois tiros no coração. O motivo seria o impasse sobre a decisão do filho mais velho de construir um rinque de patinação no gelo com o dinheiro da família. Armando e Maria Cândida não concordavam com isso, pois tinham medo de que Alvaro acabasse com a fortuna da família.

Tudo estaria resolvido se não fossem as contradições do caso. Os médicos-legistas, por exemplo, discordam dos policiais. Segundo eles, quem teria feito os disparos é Armando, o irmão mais novo, ou seja: ele teria matado Alvaro e a mãe e, depois, tirado a própria vida. Prova disso seriam as marcas de pólvora encontradas nas mãos de Armando, o que indicaria o uso do revólver.

Mas o mistério não termina aí. A posição na qual os corpos dos irmãos foram encontrados, lado a lado, não é típica de quem dispara e, depois, se suicida. E as balas encontradas na mãe não eram da pistola Parabellum. A mulher, nesse caso, teria sido morta com uma arma de calibre diferente, nunca encontrada.

Há quem diga que o ato de Álvaro tenha sido consequência de tormentos impostos por criaturas malignas que por ali habitavam, principalmente em virtude de o castelinho se encontrar em uma encruzilhada. Sim, há a possibilidade de Álvaro ter matado sua mãe e seu irmão, e em seguida se suicidado, devido à entidades obsessoras.
Mas seria mesmo Álvaro o autor das mortes? Se não foi ele, quem foi?

Existem bastantes relatos sobre pessoas que já foram ou moraram no local.

O comediante Ankito morou no castelinho em 1944 e relatou que era comum à noite ouvir pessoas andando nas escadas, as portas e janelas se abrirem e ao amanhecer encontrar as torneiras abertas. Logo após sua mudança outra família morou no castelinho por cerca de vinte anos, e também relatava a vizinhos o fato de escutarem passos e muitos barulhos misteriosos.

Maria Eulina, também relatou ter presenciado eventos sobrenaturais, como a presença de um rapaz dentro do castelinho, além de sentir que o lugar possui uma energia negativa.

O Zé do Caixão, ao filmar nas dependências do castelinho sofreu um princípio de acidente, o que levou os bombeiros a derrubarem todo o assoalho do andar superior da construção.

Pessoas que, durante a madrugada, passam em frente ao castelinho relatam ouvir choros e sons como os de correntes sendo arrastadas vindos do interior da construção.
Depois da chacina, o castelinho virou alvo de uma longa disputa judicial entre os parentes da família, até virar patrimônio público.

O local será reaberto esse ano como um centro cultural voltado para a população carente.