O maior hospício do Brasil funcionou em um prédio de Barbacena, em Minas Gerais. Chamado de Hospital Colônia, o edifício foi palco de verdadeiras e sombrias torturas.

De 1950 a 1980, doentes mentais e pessoas normais foram torturadas e mortas dentro do hospital psiquiátrico e até hoje, as denúncias de maus-tratos não foram investigadas e não há punidos.

Na época em que o manicômio funcionava, os pacientes eram enviados para lá de trem e sem se quer tomarem conhecimento do motivo e das sessões de terror a que seriam submetidas ao passarem da portaria.

O desembarque dos pacientes era feito nos fundos do manicômio e, em seguida, todos tinham que entregar os documentos e pertences. Além disso, eles eram obrigados a vestir uniformes, tinham a cabeça raspada e tomavam banho gelado. Tratamento muito parecido com os campos de concentração nos tempos de guerra.

O Hospital Colônia era uma espécie de depósito de lixo humano, onde os internados perdiam a identidade e a dignidade. Em torno de 60 mil pacientes que viviam em condições sub-humanas no maior hospício do Brasil morreram. Os pacientes dormiam amontoados no chão, que apenas era forrado com capim. Eles também eram trancados, castigados e chegaram a testemunhar alguns corpos de colegas serem queimados em tanques de combustíveis.

A internação dos pacientes era feita a mando de autoridades locais, como delegados, prefeitos, vereadores e padres, além de familiares. Normalmente, os mandados para o manicômio eram pessoas que perderam os documentos, mães solteiras, mulheres que perderam a virgindade antes do casamento e prostitutas.

Hoje, o cenário de tanto horror ainda atende doentes mentais. Mas, segundo a diretora do hospital, a realidade do manicômio é bem diferente. Ao todo, 174 pacientes são tratados com dignidade, têm cama, refeitório e lazer. Toda a história de horror do maior hospício do Brasil pode ser relembrada no Museu da Loucura, que foi construído no prédio onde funcionava o manicômio.

De acordo com uma antiga funcionária, Francisca, ela presenciou muitas sessões de tortura e até a morte de um paciente após ele receber um choque elétrico. O sonho da auxiliar de cozinha era ser enfermeira, mas o testemunho de tanta crueldade fez com que ela desistisse da carreira.

Entre os pacientes, também havia crianças. Os casos de tortura chegou a ser noticiado pela imprensa, depois que um diretor denunciou as sessões de horror e foi “convidado” a pedir demissão. Indignado, o funcionário chamou a imprensa. Muitas crianças nasceram no hospício e foram arrancadas das mães e levadas para creches e orfanatos.

Entre os medicamentos usados no tratamento dos doentes mentais existia o chá da meia noite, que era uma espécie de injeção letal. Quando os pacientes morriam e a família não reivindicava o corpo, eles eram doados para faculdades. Ao todo, 1853 cadáveres forram entregues para 17 universidades.

Existe um documentário chamado ‘Holocausto Brasileiro’, produzido pela HBO, que mostra a história desse hospital. Foi inspirado no livro com o mesmo nome.