A história do filme é a seguinte: Wilfred James (Thomas Jane), é um fazendeiro que assassina a própria esposa com a ajuda de seu filho. Depois do acontecido, com o remorso e uma sucessão de problemas acontecendo logo após o crime, Wilfred acredita que o espírito da sua esposa está assombrando ele.

Netflix está cada vez mais provando saber produzir filmes, como foi o caso de ”Jogo Perigoso”, filme baseado numa outra obra de Stephen King que também agradou o público e a crítica. Enquanto temos ”A Torre Negra” sendo lançado por uma grande produtora como a Sony, a Netflix produz um filme mais minimalista e mais fiel à obra de Stephen King também. Só tenho uma coisa a dizer: Pode mandar mais adaptações de Stephen King, Netflix!

Os primeiros 20 minutos do filme são desenvolvendo a relação da família de Wilfred James, e o modo como tudo culminará no assassinato de sua esposa. Parece pouco tempo para desenvolver algo assim, certo? Errado. Tudo aqui é bem rápido e direto, nunca se tornando apressado, diferente de alguns outros filmes. O modo como é planejado o assassinato e como Wilfred manipula a mente de seu filho para ajudá-lo, isso tudo é mostrado de forma crível e com uma narração do próprio personagem.

Sobre os atores, grande parte do elenco está bem. Thomas Jane, principalmente, que interpreta Wilfred, está muito bem aqui, ele já havia trabalhado em outra adaptação de King em 2007, ”O Nevoeiro”, e aqui ele funciona novamente. O seu personagem é manipulador, calculista, e não é muito amável não. Dylan Schmid, que interpreta o filho, não traz muito drama para o personagem, não conseguindo transmitir o peso emocional, mas não atrapalha. A mãe, interpretada por Molly Parker, é uma personagem chata, e a atriz passa bem isso nos poucos minutos que aparece.

O diretor aqui, Zak Hilditch, sabe muito bem criar tensão, sabendo usar o enquadramento da câmera ao seu favor. O roteiro é bom, traz muitos aspectos à trama, alguns assustadores mas o foco aqui é mais o drama dos personagens, trazendo vários questionamentos interessantes sobre céu e inferno. Há alguns clichês, e a forma como a mãe morta aparece é expositiva demais, na minha opinião. A falta de jumpscares foi um agrado também. A fotografia e o design de produção são mais pontos altos, aquela época é muito bem retratada. Ah, e o final foi bem previsível, apesar de ter me agradado.

Resumindo, ”1922” é muito bom, apesar de ter um final previsível e mais algumas coisinhas. É tecnicamente perfeito e o seu roteiro traz questionamentos interessantes. Não vá assistir esperando um ”terror” que você se decepcionará, o filme é mais um suspense/drama.

Nota: 8.4