A história do filme é a seguinte: Abandonado no meio de um apocalipse zumbi, um homem põe em marcha um plano improvável para proteger a preciosa carga que ele carrega: a sua filha recém-nascida.

Em 2013 foi lançado um curta-metragem chamado ”Cargo”, que contava a história de um homem tentando proteger a sua filha em meio a um apocalipse zumbi. O curta foi um sucesso, sendo uma obra pequena, mas mesmo assim tocante e triste. Eis que decidiram fazer um longa metragem. Admito que estava esperançoso, pois os dois últimos filmes baseados em curta-metragens que assisti, ”Mama” e ”Quando as Luzes se Apagam”, foram bons filmes. E posso dizer, não me decepcionei.

Os primeiros minutos do filme são bastante lentos. Mostra a vida da família e como eles estão fazendo para sobreviver, demora consideravelmente para aparecer o primeiro morto-vivo. O espectador já é colocado de cara nesse mundo, sem muitas explicações sobre como surgiu o vírus, se afetou toda a população na terra, isso não é explicado, o que fez alguma falta para mim.

 

Sobre os atores, são uns dos pontos mais altos do filme. Martin Freeman sempre foi carismático, tanto em seus papeis maiores como em ”O Hobbit” ou em papeis menores, como em ”Heróis da Ressaca”. Aqui não está diferente, mas ele deixa um pouco o carisma de lado e foca mais nos sentimentos, na preocupação do pai em manter a sua filha segura, ele transmite isso de uma maneira bela. A pequena atriz que interpreta Thoomi também está bem, principalmente considerando que é o primeiro longa dela.

Como eu disse antes, o roteiro não explica muita coisa sobre o mundo em que estamos colocados, sabemos pouco, mas apesar disso, ele nos faz adentrar numa trama minimalista, numa jornada íntima do personagem principal para proteger sua amada filha. Há elementos similares com ”The Last of Us” e até com ”Logan” aqui. A trilha sonora do filme é forte e instrumental, ajudando bastante nos momentos mais tensos do filme. Por falar em momentos tensos, temos alguns bem pontuais aqui, mas que acabam rápido, o que é meio broxante.

A fotografia do filme é linda, assim com os cenários em que o filme é gravado. A direção de Ben Howling e Yolanda Ramke é funcional e operante. Os zumbis aqui são mais pano de fundo, o foco em si do filme é mostrar o que um homem é capaz de fazer para proteger a sua filha. O filme mantém o mesmo final do curta, então quem assistiu o curta já sabe exatamente como o filme vai acabar, mas mesmo assim é triste de se ver de novo.

Resumindo, ”Cargo” é um drama sobre zumbis, com alguns toques de terror. Tem momentos tensos, cenas tristes e um ator principal que é muito bom. Consegue transformar bem um curta de 7 minutos em um filme de 1h45min.

Nota: 8.5