A história do filme é a seguinte: Após a morte da reclusa avó, a família Graham começa a desvendar algumas coisas. Mesmo após a partida da matriarca, ela permanece como se fosse um sombra sobre a família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie, por quem ela sempre manteve uma fascinação não usual. Com um crescente terror tomando conta da casa, a família explora lugares mais escuros para escapar do infeliz destino que herdaram.

Depois de tantos elogios por parte da crítica, fui conferir este tão aclamado terror. Confesso que não havia gostado muito do trailer, parecia que ia ser mais qualquer filme do gênero, mas fui enganado. A24 é uma das melhores distribuidoras de filmes de terror atuais, senão a melhor! Porém, vale lembrar que os filmes dessa distribuidora não são pra todo mundo, vide A Bruxa, Ao Cair da Noite e Green Room, filmes que a crítica amou e o público detestou. E aqui não está sendo diferente, Hereditário não parece ter caído no gosto do público.

Logo no início do filme, podemos ver o notável talento do diretor Ari Aster, conduzindo de forma suave e sutil a câmera em um cômodo fechado e aproximando-se de uma maquete da casa que está sobre a mesa, depois corta para uma cena no quarto de Peter, é realmente muito bem feito.

Sobre os atores, um dos muito pontos altos do filme. Toni Collette, como Annie, dá um show de interpretação, mostrando a perda de insanidade que a personagem vai sofrendo aos poucos, por causa de sua família. Alex Wolff também não decepciona, o ator já tinha se mostrado promissor com Meu Amigo Dahmer, e aqui dá uma interpretação boa também, demonstrando medo e insegurança. Do elenco principal, talvez Gabriel Byrne seja o mais fraco, mas o seu personagem também não faz muita coisa no filme.

O roteiro de Hereditário é ótimo, a primeira uma hora é para construir os personagens, demora para chegar ao 2º ato, e lá pelos 20-30 minutos, acontece algo que eu realmente não esperava que fosse acontecer, me surpreendeu, o que é sempre bom. A atmosfera é dominante aqui, o ar de luto em grande parte do filme até a constante presença do mal na casa, isso tudo é muito bem construído pelo roteiro e pelo ótimo trabalho de direção de Ari Aster.

Os últimos minutos de Hereditário podem ser questionáveis por serem expositivos demais, mas eu gostei do que foi mostrado, tem algumas imagens que são bem perturbadoras aqui, mérito também da trilha sonora, com batidas fortes e altas que ajudam muito a criar tensão, é assim que se cria uma trilha sonora de filme de terror. As bizarrices e surpresas no filme são muitas, agradeço por não terem mostrado muito no trailer agora, pois eu me surpreendi em várias cenas do filme. E, apesar de claramente podido ser um filme com um tempo mais curto (126 minutos é muito), gostei bastante.

Concluindo, ”Hereditário” foi feito para um público em específico, se você gostou de ”A Bruxa” ou ”Ao Cair da Noite” provavelmente vai gostar deste aqui. É tenso, muito atmosférico, tem um ótimo trabalho sobre luto e até religião, e apesar de se arrastar demais em algumas cenas, vale muito a pena de assistir.

PS: Recomendo que vocês esperem pra assistir em casa, pois como é um filme de terror, sempre vai ter o engraçadinho metido a corajoso pra dar risada na sua sessão -assim como teve na minha-, isso irá atrapalhar a sua imersão no filme, fator que é muito importante aqui.

Nota: 9.0