A história do filme é a seguinte: Reunindo-se após a morte trágica de um deles, quatro amigos de faculdade resolvem realizar uma caminhada através dos bosques escandinavos. No entanto, eles acabam se perdendo e percebem que estão sendo perseguidos por um mal antigo que ainda espreita na escuridão.

Confesso que eu estava bastante ansioso por este filme, afinal, tinha como não ficar? O longa já havia sido elogiado por Guillermo del Toro -um ótimo diretor, um dos meus favoritos-, dizendo que o filme era ”ALTAMENTE RECOMENDADO! ‘O Ritual’, da NETFLIX. Incrível e assustador. Com uma bela criatura desenhada pelo meu colaborador frequente Keith Thompson”. E ainda conta com a produção de Andy Serkis, outro nome de peso para ajudar o filme.

O filme começa já com uma cena simples de conversa de bar entre amigos. E é que então, um deles acaba se envolvendo acidentalmente em um assalto de loja e acaba morto, a cena em si é tensa, curta e rápida, porém já dá um tom forte para o clima do filme. Depois já corta para a cena de meses depois da morte do amigo, onde os outros estarão fazendo a caminhada no bosque em sua homenagem.

Sobre os atores, funcionam em conjunto e estão bem. Cada um a característica própria de seu personagem, e conseguem transmitir isso de boa forma. Porém, um se destacou para mim, o protagonista, Rafe Spall – aquele lá do episódio ”White Christmas”, de Black Mirror-, que interpreta o personagem Luke. É o personagem com mais peso do longa e com mais arrependimento, e o ator transmite isso convincentemente.

Ao longo do filme, ele se sustenta muito com a sua ótima atmosfera e clímax estabelecidos, com muitos elementos de ”A Bruxa de Blair”. A criatura que ataca os homens não aparece, é vista muitas vezes por relance, ou apenas podemos ver os seus rastros, e isso para mim ajuda muito no suspense. Podemos ver os personagens sendo afetados pela floresta, através de visões de acontecimentos perturbadores para eles, e coisas inexplicáveis. A mente deles vai, aos poucos, sendo tomada pela floresta.

É nos 30 minutos finais que o filme perde tudo o que desenvolveu, mostrando demais e caindo em vários clichês do gênero. O roteiro tenta mostrar alguns elementos da mitologia nórdica, muito e acaba caindo na superficialidade. A parte técnica do filme é excelente, a fotografia meio cinza e com tons pouco claros, ajuda na atmosfera. David Bruckner tem uma direção convincente, sem muito trejeitos ou a tentativa de se diferenciar de outros filmes do gênero.

Enfim, ”The Ritual” explora elementos que já foram vistos antes em outros filmes, deixa muito à desejar em seu ato final, mas tem uma atmosfera e um clímax bem explorados até mais ou menos 1h de filme, bons atores e uma fotografia bela.

Nota: 6.5