O serial killer Zodíaco é um dos maiores mistérios policiais de todos os tempos. Ele é responsável por seis mortes ocorridas na Califórnia, nos EUA, no final dos anos de 1960. Mas ele se dizia responsável por tirar a vida de 37 pessoas. Ele se comunicava por meio de cartas cheias de enigmas que enviava a jornais locais e alguns desses enigmas não foram decifrados até hoje. Até hoje, ninguém sabe quem é ele e tudo o que se sabe sobre a aparência dele é um retrato-falado feito com a descrição de duas vítimas que sobreviveram ao seu ataque.

A primeira vítima de Zodíaco foi Cheri Jo Bates, uma estudante universitária da Califórnia. Ela foi morta do lado de fora da biblioteca do campus onde estudava, no dia 30 de outubro de 1966. Enquanto a jovem estava na biblioteca, o assassino sabotou seu carro e ficou à espera da moça que não conseguiu ligar o veículo e acabou aceitando carona do assassino. Antes de Cheri morrer, ela ficou uma hora na companhia de Zodíaco, depois ele a matou com três facadas no peito, uma nas costas e sete no pescoço, quase chegando a decapitá-la. Ela também foi asfixiada e apanhou muito no rosto. Não foram encontrados sinais de estupro na vítima. Alguns registros indicam a presença de um homem branco que foi visto dirigindo um carro velho nos arredores do local do crime. De acordo com a polícia, uma pessoa teria presenciado o assassinato da estudante.Um mês após a morte de Cheri, a primeira carta do assassino foi enviada ao jornal local. Depois disso, mais cartas foram enviadas, agora não apenas para a imprensa, mas também à polícia e ao pai de Cheri. Nessa segunda carta, Zodíaco dizia “Bates tinha que morrer! Haverá mais mortes”.

Outro assassinato de Zodíaco chocou a cidade de Vallejo na Califórnia. No dia 20 de dezembro de 1968 um casal de adolescentes estacionou o carro em um lugar conhecido por atrair casais apaixonados. Lá, Zodíaco atirou contra a cabeça de David Faraday enquanto ele ainda estava sentado no carro. Depois, atirou cinco vezes contra Betty Lou Jensen, quando ela estava do lado de fora do veículo, provavelmente tentando fugir.

A polícia acredita que Zodíaco atacou outro jovem casal no dia 4 de julho de 1969. Mike Mageau e Darlene Ferrin estavam em Vallejo quando foram baleados. Mageau sobreviveu, mas sua namorada morreu na hora. Nesse período, Zodíaco escreveu mais cartas para jornais da região, repassando alguns detalhes do crime.

Zodíaco também escreveu uma mensagem codificada, que dividiu em várias partes e cada uma delas foi enviada a um jornal diferente. A mensagem era clara: se os jornais não publicassem os códigos em seus impressos, haveria mais pessoas assassinadas. A carta foi finalizada com um símbolo estranho, que acabou virando uma espécie de brasão do assassino. A mensagem codificada foi decifrada graças à ajuda de um professor de Salinas, no mesmo estado. O conteúdo revelava detalhes perturbadores da mente psicopata de Zodíaco, que afirmou que gostava de matar pessoas “porque isso é tão divertido” e revelou ainda, acreditar que suas vítimas se tornariam seus escravos depois que ele morressem também.

O apelido “Zodíaco” foi adotado pelo assassino em agosto de 1969, em uma carta que ele enviou ao jornal San Francisco Examiner.

No dia 27 de setembro daquele mesmo ano, o assassino voltou a agir, escolhendo mais um jovem casal que passeava à noite. Dessa vez, nada de tiros: Zodíaco esfaqueou os dois repetidas vezes. Cecelia Shepard não resistiu aos ataques e morreu dois dias depois, mas seu namorado, Bryan Hartnell sobreviveu. No carro de Hartnell, Zodíaco deixou um bilhete informando as datas dos assassinatos anteriores, como uma forma de comprovar sua identidade. O sobrevivente ajudou a polícia a criar um retrato-falado do assassino, que foi descrito como um homem branco, robusto e que deveria ter uns 30 anos, de cabelo curto castanho e óculos.  Ele afirmou também que Zodíaco usava uma espécie de capa.

Outra vítima do psicopata foi um motorista de táxi, que levou um tiro no dia 11 de outubro de 1969, apenas algumas semanas depois do último ataque.

No dia 13 de outubro, Zodíaco enviou outra carta, dizendo que havia matado o taxista e que estava preparando um ataque de bomba em um ônibus escolar, para matar várias crianças ao mesmo tempo. Felizmente, essa promessa acabou não sendo cumprida.

Até hoje a verdadeira identidade de Zodíaco não foi descoberta, as investigações policiais a respeito dele têm uma lista de mais de 2.500 suspeitos, todos já investigados pela polícia. Entre os suspeitos, estavam até os serial killers Charles Manson e Ted Kaczynski. Arthur Leigh Allen acabou entrando para a lista depois de ser identificado como responsável pelo ataque a Hartnell e Mageau, mas um exame de DNA não comprovou que ele era o assassino.

O caso voltou à tona em 2007, quando pesquisas para o filme Zodiac, do diretor David Fincher, descobriram que algumas cartas do assassino não haviam passado por testes de DNA.

Em 2014, Gary L. Stewart, autor de “The most dangerous animal of all”, disse que era filho do assassino. Segundo Stewart, a descoberta foi feita depois que o autor resolveu ir atrás de seu pai biológico. De acordo com o relato do autor no próprio livro, há comprovação forense de que o assassino é seu pai. Além disso, ele diz ter informações chocantes a respeito da personalidade fria e doentia de Zodíaco. Antes de Stewart outra pessoa já havia afirmado ter uma relação de parentesco com o assassino. Em 1991, um advogado de São Francisco alegou que seu irmão já morto, Jack Steadman Beeman, era o assassino mas nunca foi comprovado.

Duas cartas que foram enviadas as autoridades e imprensa na época pelo próprio assassino:

“Aqui quem fala é o Zodíaco. A propósito, vocês já resolveram a última cifra que enviei? Meu nome é… [CÓDIGO]. Estou levemente curioso com quanto dinheiro vocês estão pagando de recompensa pela minha cabeça. Espero que vocês não pensem que eu era aquele que apagou um policial com uma bomba na delegacia. Embora eu tenha falado de matar crianças com uma. Não seria certo invadir o território de outra pessoa. Mas há mais glória em matar um policial do que em matar uma criança, porque um policial pode atirar de volta. Já matei dez pessoas até hoje. Teria sido muito mais, mas minha bomba falhou. Eu fiquei alagado pela chuva que tivemos algum tempo atrás.”

“Aqui quem fala é o Zodíaco. Eu fiquei bastante irritado com o povo da Bay Area de San Francisco. Eles não acataram meus desejos de que usassem um bottom com meu símbolo. Prometi puni-los se não acatassem, aniquilando um ônibus escolar. Mas agora as escolas estão de férias pelo verão, então eu os puni de outra maneira. Atirei em um homem sentado em um carro estacionado com um 38. O mapa que acompanha este código diz onde a bomba está. Vocês têm até o outono para desenterrá-la.”